Iniciativa, promovida pela Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão e pelo Serviço Académico no âmbito do projeto BANDUA, reuniu estudantes, docentes e colaboradores para refletir sobre os desafios de construir uma comunidade académica verdadeiramente diversa, inclusiva e intercultural.
A NOVA Medical School promoveu esta manhã, na Sala dos Passos Perdidos, o encontro “À Conversa sobre... Diversidade Cultural”, uma iniciativa da Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).
O encontro começou com um pequeno-almoço intercultural, preparado no Kitchen Lab da NOVA Medical School por estudantes internacionais, que confecionaram receitas dos seus países de origem. Mais do que um momento gastronómico, o pequeno-almoço constituiu uma oportunidade de encontro e networking, criando um espaço informal de partilha entre estudantes, docentes e colaboradores.
A iniciativa partiu de uma questão central: o que significa, verdadeiramente, ser uma instituição diversa, inclusiva, plural e intercultural?
Ao longo da manhã, o debate procurou ir além da ideia de representatividade, refletindo sobre a forma como diferentes experiências e culturas podem efetivamente participar na vida académica, nas relações e na construção de conhecimento.
Para Carlotta Pizano da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, uma universidade internacional não se define apenas pelo número de estudantes internacionais ou pela presença de diferentes nacionalidades. A diversidade está também presente nos contextos e experiências que cada pessoa traz consigo, sendo necessário criar condições para que exista interação entre diferentes culturas.
“Interculturalidade acontece quando os alunos entre eles conseguem interagir. A interculturalidade é muito difícil de alcançar. É quando diferentes culturas interagem, não apenas quando temos em sala de aula alunos de diferentes países.”
A reflexão sobre os conceitos foi também destacada por Rute Dinis de Sousa, Diretora de Parcerias Estratégicas da NOVA Medical School, que sublinhou a importância de distinguir conceitos frequentemente utilizados em conjunto, como diversidade, inclusão, pluralidade e interculturalidade.
Fernando Bozza, docente da NOVA Medical School, lançou outra questão ao debate: “O que muda quando temos uma escola diversa, inclusiva, plural e intercultural?”
Partindo da sua experiência de trabalho com comunidades indígenas na Amazónia, destacou que diversidade significa reconhecer a existência de pessoas diferentes, mas que uma instituição só será verdadeiramente plural quando essas diferenças forem relevantes na forma como se decide, se conhece e se produz conhecimento.
“Diversidade significa que aqui temos pessoas que são diferentes. No entanto, a instituição pode não ser plural. Ser plural significa que essas diferenças são relevantes na maneira de decidir, de conhecer e de gerar conhecimento.”
Na área da saúde, esta dimensão assume particular importância. Uma sociedade complexa exige diferentes perspetivas para compreender a saúde, a doença e os cuidados, reconhecendo que estes fenómenos têm dimensões que ultrapassam a abordagem exclusivamente clínica.
A inclusão, acrescentou, está relacionada com a trajetória e com a capacidade de pessoas com diferentes percursos fazerem efetivamente parte da instituição e, sobretudo, sentirem que fazem parte.
Como trazer mais mundo para dentro da faculdade?
A perspetiva dos estudantes esteve igualmente presente no encontro, através da participação de elementos da Associação de Estudantes da NOVA Medical School e de estudantes internacionais.
A experiência de estudantes provenientes de diferentes países trouxe para o debate uma questão particularmente relevante: como criar condições para que quem chega consiga integrar-se numa cultura académica já estabelecida?
Durante o verão, a Associação de Estudantes recebeu estudantes de Medicina de 15 nacionalidades, evidenciando a dimensão internacional da comunidade académica da NMS. No entanto, foram também identificadas dificuldades na integração, nomeadamente a distância entre os diferentes programas de mobilidade e a vida académica quotidiana da instituição.
A língua foi apontada como um dos obstáculos à criação de relações e ao sentimento de pertença. Embora aprender português seja reconhecido pelos estudantes internacionais como importante para a integração, foi também lançada uma questão para a própria instituição: quando uma escola se abre ao mundo, será a adaptação apenas responsabilidade de quem chega?
A discussão destacou, neste sentido, a necessidade de criar pontes entre estudantes internacionais e a cultura académica, incluindo espaços e experiências que lhes permitam participar mais plenamente na vida da instituição. Aintegração não acontece apenas dentro da sala de aula. Acontece também nos corredores, nas associações, nas atividades extracurriculares, nos momentos informais e nas relações que se estabelecem entre pessoas de diferentes origens.
É nesse espaço de interação que a diversidade pode transformar-se em interculturalidade.
Uma escola aberta à diversidade
O painel contou com a participação de Fernando Bozza, docente da NOVA Medical School, Carlota, da Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, representantes da Associação de Estudantes da NMS e três estudantes internacionais.
Docentes, colaboradores e estudantes acompanharam a sessão, num momento de diálogo e partilha que reforçou a importância de continuar a construir uma comunidade académica onde diferentes experiências, culturas e perspetivas tenham espaço para se encontrar.
A iniciativa insere-se no compromisso da NOVA Medical School com uma cultura institucional assente nos princípios da Diversidade, Equidade e Inclusão, promovendo não apenas a representatividade, mas também participação, interação e sentimento de pertença.
Porque uma escola internacional não é apenas aquela onde estudam pessoas de diferentes países.
É aquela onde essas pessoas conseguem encontrar-se, relacionar-se, participar e sentir que também fazem parte da comunidade que estão a ajudar a construir.