Biotério de Roedores

O Biotério de Roedores da NOVA Medical School é uma infraestrutura dedicada à criação, alojamento e utilização de roedores (ratos e murganhos) para fins científicos. Proporciona um ambiente controlado que assegura as condições sanitárias necessárias para a investigação biomédica, cumprindo as normas nacionais em conformidade com a regulamentação da DGAV e internacionais seguindo as recomendações da FELASA para apoiar investigação de elevada qualidade e reprodutibilidade, obedecendo a elevados padrões de bem-estar animal.

 

Infraestrutura e Desenvolvimento Contínuo

Localizado num edifício independente de dois pisos, o Biotério é composto por:

  • Piso Térreo (Barreira SPF – ABSL2): Área livre de agentes patogénicos específicos (Specific Pathogen-Free - SPF), dedicada à criação, alojamento e experimentação em condições de bioexclusão e biocontenção (ABSL2).
  • Primeiro Piso (Alojamento Convencional e Experimentação): Destinado ao alojamento convencional e realização de procedimentos experimentais fora da área barreira.

Em 2021, o Biotério foi alvo de uma remodelação significativa através de financiamento CONGENTO (LISBOA2030-FEDER-01317200), aumentando consideravelmente a capacidade do piso térreo para alojamento e experimentação. Mais recentemente, garantiu novo financiamento competitivo (HubP2C - LISBOA2030-2024-15) para assegurar a contínua modernização e conformidade com os mais elevados padrões, para se consolidar como um Centro de Excelência em Investigação Translacional Pré-Clínica.

 

Equipamento e Sistemas de Alojamento

O Biotério dispõe de sistemas avançados de climatização e filtração HEPA, garantindo uma qualidade do ar de classe ISO 7 & 8 no Piso de Barreira, reduzindo o stress dos animais, prevenindo contaminações e assegurando a fiabilidade dos dados experimentais.

As condições ambientais são controladas, mantendo uma temperatura de 22°C ± 2°C e uma humidade relativa de 55% ± 15%, garantindo condições ideais para o bem-estar animal e a consistência da investigação.

O ciclo padrão/default de luz diurna é de 12 horas de luz e 12 horas de escuridão, com as luzes acesas durante o dia (programadas para ligar às 7h00/8h00 e desligar às 19h00/20h00).

  • Alojamento no Piso Térreo: Utilização predominante de gaiolas com ventilação individual (IVCs) para murganhos, proporcionando um elevado nível de bioexclusão e controlo ambiental.
  • Alojamento no Primeiro Piso: Utilização de gaiolas convencionais para ratos e murganhos em salas de alojamento barreira, com laboratórios experimentais operando fora da área barreira.

 

Compromisso com o Bem-Estar Animal e Ética

O Biotério de Roedores da NOVA Medical School coloca o bem-estar animal como prioridade, garantindo que os animais são alojados em ambientes enriquecidos, que promovem a expressão de comportamentos naturais. A infraestrutura cumpre rigorosamente a legislação nacional (Decreto-Lei nº 113/2017) e europeia (Diretiva nº 63/2010/EU), sendo que todos os projetos de investigação passam por uma avaliação criteriosa de bem-estar animal, ética e biossegurança antes da aprovação. A autorização da entidade competente é obrigatória antes da realização de qualquer estudo. Além disso, é garantido que todo o pessoal envolvido no manuseamento de animais e os investigadores responsáveis pelos procedimentos recebem a formação e certificação necessárias.

A equipa de cuidados monitoriza continuamente a saúde e o bem-estar dos animais, assegurando o cumprimento das diretrizes do Órgão Responsável pelo Bem-Estar Animal (ORBEA) e das regulamentações da DGAV.

A NOVA Medical School segue rigorosamente os princípios dos 3Rs (Redução, Refinamento e Substituição), minimizando o uso de animais, aperfeiçoando os métodos experimentais para reduzir o desconforto e promovendo alternativas sempre que possível. Como signatária do Acordo de Transparência sobre Investigação Animal em Portugal, a NOVA Medical School reforça o seu compromisso com práticas científicas éticas e responsáveis.

EQUIPAMENTOS

O Piso Barreira dispõe de uma área dedicada à produção, seis salas de alojamento e duas salas experimentais. O Piso Experimental Convencional inclui duas salas de alojamento para ratos e murganhos, cinco salas experimentais, uma suíte cirúrgica, duas salas insonorizadas equipadas com sistemas de gravação de vídeo para estudos de comportamento animal e salas de equipamento comum, equipadas com hotes químicas.

O Biotério possui equipamento próprio e recursos partilhados disponíveis para estudos de experimentação animal, incluindo:

  • Câmaras de Biossegurança, e câmaras de muda com fluxo laminar
  • Hottes Químicas
  • Sistemas de imagiologia in vivo (IVIS_Newton 7)
  • Lupas e microscópios
  • Equipamentos de hipóxia/hiperóxia
  • Pletismógrafo
  • Gaiolas de Faraday
  • Racks e alojamento para estudos metabólicos
  • Equipamentos para estudo de comportamento
  • Sistemas de anestesia e cirurgia por estereotaxia
  • Equipamentos de armazenamento frio, incluindo congeladores a -80°C para armazenamento de amostras, máquina de gelo e azoto líquido disponível.

Além disso, conta com infraestrutura avançada para a manutenção, descontaminação e esterilização de materiais, incluindo:

  • Duas autoclaves horizontais barreira
  • Máquinas industriais de lavagem de gaiolas
  • Equipamento para enchimento de biberões
  • Sistema de despejo de gaiolas com fluxo laminar
  • Sala de descontaminação por vaporização de peróxido de hidrogénio
  • Equipamentos de eutanásia
  • Estação de tratamento de água por osmose reversa e destilador de água

 

SERVIÇOS

O Biotério dispõe ainda de um serviço de produção de pequenos roedores para utilização interna. Presentemente, o Biotério de Roedores tem capacidade para alojar um máximo de 750 gaiolas de murganho; e cerca de 570 gaiolas de rato. A infraestrutura inclui ainda salas de alojamento especializadas para murganhos imunocomprometidos e estudos com ciclo invertido de luz (luzes estão apagadas durante o dia a partir das 9h30 e acesas durante a noite às 21h30), garantindo condições ótimas para estas necessidades específicas de investigação.

Outros serviços:

  • Plataforma integrada para imagem molecular e celular para monitorização de biomarcadores in vivo
    O Biotério de Roedores oferece monitorização não invasiva e longitudinal de biomarcadores celulares, metabólicos e de expressão proteica in vivo utilizando sistemas avançados de imagem. Este serviço permite o estudo da progressão da doença, a avaliação de novas terapias e a análise em tempo real das respostas imunitárias em modelos animais. O sistema Micro-CT, combinado com as tecnologias IVIS e PET/CT, permitirá uma avaliação abrangente ao nível celular, dos tecidos e orgãos, superando as limitações das abordagens tradicionais baseadas em biópsias.
    A capacidade de monitorizar de forma não invasiva a proliferação celular, o metabolismo e a expressão proteica em todo o animal, juntamente com o rastreamento e a infiltração de células imunitárias ao longo do tempo, fornece uma visão dinâmica das alterações imunológicas e dos efeitos dos fatores ambientais. Esta plataforma melhora o desenvolvimento pré-clínico, reduzindo o número de animais necessários para estudos longitudinais e fornecendo dados robustos para apoiar a translação em biomarcadores.
  • Desenvolvimento personalizado de modelos animais para descoberta de biomarcadores e avaliação de intervenções
    Além dos modelos de doenças existentes, o biotério de roedores disponibiliza o desenvolvimento de novos modelos animais personalizados e procedimentos médicos na investigação de mecanismos complexos e valida biomarcadores específicos para patologias emergentes. Este serviço inclui o desenho experimental, a criação e manutenção de modelos e a execução de procedimentos cirúrgicos e experimentais avançados.
    A capacidade de desenvolver modelos personalizados, combinada com a experiência em manipulação experimental, garante que os biomarcadores identificados sejam diretamente relevantes para as questões de investigação específicas. A colaboração com o Serviço de Imunologia e a Unidade de Citometria de Fluxo, juntamente com a integração com recursos de imagem de última geração, permite uma abordagem abrangente e aprofundada para a descoberta e validação de biomarcadores relacionados com a imunotoxicidade e respostas imunológicas.

 

Biossegurança e Conformidade

Em termos de biossegurança, o Biotério de Roedores opera nos níveis ABSL1 e ABSL2, garantindo um ambiente seguro e controlado. Os animais alojados não podem ser experimentalmente infetados com agentes patogénicos ou zoonóticos, assegurando condições sanitárias rigorosas para a investigação biomédica.

O acesso ao Biotério de Roedores é restrito a pessoal autorizado e monitorizado por um sistema de controlo de acessos.

Para solicitar acesso, os utilizadores devem enviar um e-mail para: rodent.facility@nms.unl.pt.

 

Trabalhar no Biotério de Roedores

  • Apenas utilizadores acreditados pela DGAV, registados no Órgão de Bem-Estar Animal (ORBEA) como parte da equipa de investigação, podem realizar procedimentos.
  • O acesso independente e o trabalho sem supervisão só são permitidos após formação adequada e avaliação de competências.
  • Novos utilizadores acreditados pela DGAV devem ser supervisionados por um investigador qualificado, capaz de realizar os procedimentos, e que deve estar presente na sala.
  • É estritamente proibido manusear os animais sem Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado.
  • É proibido comer ou beber nas instalações.
  • A lavagem das mãos é obrigatória antes de sair do biotério.

 

Regras de Acesso - veja aqui o Fluxorama das Regras de Acesso

  • A admissão e autorização de acesso à unidade só são concedidas após uma visita de indução às instalações.
  • Cartões de Acesso Pessoal: Existem com dois tipos de permissões– para acesso à Zona de Barreira e para o Primeiro Piso Convencional.
  • Visitantes: Requerem autorização prévia e devem completar o registo no Biotério de Roedores antes da entrada.

 

Regras de Acesso – Área de Barreira do Piso Térreo (SPF)

O acesso só é permitido se, nas últimas:

  • 72 horas: Não houve contacto com roedores fora do biotério (incluindo répteis alimentados com roedores).
  • 24 horas: Não houve entrada numa unidade com um nível de barreira inferior (Primeiro Piso – Piso Experimental).

 

Coordenador Científico

Sílvia Vilares Conde
Investigadora Principal

Gestor da Unidade

Sara Marques
Gestora do Biotério de Roedores

Equipa

Daniel Cruz
Tratador
Maísa Melo
Tratadora
Carine Santos
Tratadora
Marco Rocha
Tratador