Laboratório de Alisson Gontijo participa em nova caracterização neuronal de Drosophila

Os animais têm formas específicas de escapar ao perigo externo. E um estudo colaborativo releva agora que existem sinais promovidos por moléculas libertadas por neurónios para fazer com que larvas da mosca da fruta (Drosophila melanogaster) escapem de estímulos externos nocivos.

Alisson Gontijo, investigador principal do laboratório de Biomedicina Integrativa do CEDOC-NMS, fez parte deste esforço colaborativo entre várias instituições que incluíram as Universidade de Bona, Hamburgo e Duke, entre outros centros de investigação. “Resolvemos o circuito neuronal que medeia a deteção de luz nos neurónios ao componente do circuito do sistema nervoso central que distingue a luz de outro estímulo que as larvas consideram perigoso: o toque” diz Alisson. 

“Mostramos que os neurónios hub Dp7 respondem diferencialmente a cada estímulo, e essa diferença consiste na secreção seletiva de diferentes neuropéptidos: sNPF ou o peptídeo semelhante à insulina 7 (Ilp7), para a resposta ao toque ou à luz, respetivamente” continua. “Tanto o Ilp7 quanto o Lgr4, um recetor acoplado à proteína G, são necessários para a resposta de aversão à luz e apresentamos dados funcionais e bioquímicos consistentes da interação de ambos”.

Descortinar estes circuitos neuronais complexos é uma grande vitória à qual acrescem outas descobertas igualmente importantes. Neste estudo liderado por Peter Soba, do Limes Institute em Bona, o grupo de Alisson – que incluiu Ednilson Varela e Fabiana Herédia - esteve particularmente envolvido naquilo que o investigador chama a “desorfanização” do recetor Lgr4. Est recetor é similar a recetores humanos que reconhecem a relaxina, um péptido neuromodulador com estrutura similar à da insulina: “As vias de sinalização da relaxina são altamente conservadas na evolução e têm sido implicadas em muitas doenças humanas, incluindo doenças neuropsiquiátricas, como depressão e ansiedade. Este estudo adiciona ao conhecimento de que relaxinas de invertebrados estão envolvidas no controle de comportamentos inatos, sugerindo que a Drosophila é um modelo muito mais valioso do que se pensava anteriormente para compreender o papel desta via de sinalização e doenças humanas a ela relacionadas”.

O estudo foi publicado na revista Current Biology com o título A neuropeptidergic circuit gates selective escap ebehavior of Drosophila larvae está disponível aqui.